Em terapia

abril 8, 2016

Vamos começar.

Filed under: Sem categoria — coramade @ 2:05 pm

Revivi esse blog aqui que eu tinha quando tava na jornada terapêutica pra conversar sobre depressão, ansiedade, essas coisas.

Primeiro vou pedir um pouco de paciência porque a vida tá louca aqui.

Hoje eu tenho um compromisso social. Dessas coisas de sair à noite, dar um rolê e ver gente.

Fiquei a semana inteira me preparando psicologicamente.
Em semanas que a depressão tá me pegando pelo pé eu fico com medo de sair.
Crio na minha cabeça todas as situações que podem não dar certo.

Mas aí eu penso que se eu já sair de casa com essas ideias a probabilidade de dar ruim é aumentada em 200%.

Então fico fazendo o exercício de pensar que vai ser bom, que vou ver pessoas legais, que a vida pode ser boa. E pode mesmo. O problema é se não for.

To rindo disso aqui agora. É que eu aprendi a rir de mim quando dou essas panes. Aprendi por causa dos muitos anos de análise e terapia.

Quero falar disso também com vocês. Mas vamos lá. Vamos começar com calma.
A gente tem muita coisa pra conversar.

abril 16, 2013

Tudo errado

Filed under: Sem categoria — coramade @ 12:16 am
Tags: , , , ,
Olho e já sei de longe o que vai dar lá na veja,
porque é fácil de prever o que cala e o que consente,
nesse movimento esquerda-direita volver ensaiado.
Corta luz político programado televisionado disfarçado.
Aproveitando o momento em que vejo o sorriso atravessar correndo a rua,
atropelando o ciclista e morrendo no fim atropelado pelo ônibus que desviava no viaduto.
Essa alegria-oba-oba me corta a felicidade torta que eu achava que tinha dando últimos suspiros.
Ninguém mais fica mudo, é tudo estardalhaço, é tudo opinião, nada pensamento, ninguém sabe escutar.
É um mundo de surdos que só sabem gritar. Calaboca, calaboca. Me atiro de pijama no sofá. Faço protesto.
Escrevo um manifesto pra ninguém notar enquanto tudo no mundo vai dando tão errado quanto poderia dar.
Colo no meu mural virtual uma canção do Geraldo Vandré só pra não virem me dizer que eu não falei das flores.
E ainda tenho que te mandar uma carta de desculpas muito curta porque não te escrevi nenhum soneto essa noite.
Eu queria bicho vivo, gente livre, igualdade, humanismo, cultura, liberdade-ninguém-me-segura, e mais amor também.
Mas nem consegui organizar sentenças, frases sem desavença não dão em árvores, é tudo caos e dor-de-cabeça-bate-estaca.
 
 
 

abril 3, 2013

Sobre a diversidade religiosa

Filed under: Sem categoria — coramade @ 12:18 am

A grande força geradora de todos os universos, a.k.a Deus, fez uma das coisas mais divinas e inteligentes com a diversidade religiosa.

Colocou em cada filosofia ou religião algo muito importante que deveria ser assimilado e aprendido pela humanidade. No budismo, hinduísmo, cristianismo, islamismo, ceticismo, humanismo… et cetera. Depois deu a humanidade um telencéfalo e liberdade.

O problema é que ao invés de aprender o que cada religião tem de melhor e verdadeiramente importante para uma coexistência pacífica, harmoniosa e amorosa, o ser humano decidiu estar certo. Ser detentor da razão.

Eis um erro de interpretação: A maçã que expulsa do paraíso não é a razão com o sentido de conhecimento, e sim a razão no sentido de ter a razão, de ser o dono da verdade. Ninguém é. E foi assim que Adão entrou pelo cano.

Meu paraíso não tem maça. Tem respeito às diferenças.

abril 4, 2009

Carmina

Filed under: textos — coramade @ 7:07 am
Tags: , ,

Carmina era uma mulher sutilmente poderosa.
Tinha paciência de enxadrista e nessa paciência residia a sutileza de seus gestos.
O poder, bem, o poder era o querer. Um querer infinito.
Gostava da arte de lapidar as pessoas. Encontrava alguém de bom coração e algumas confusões e saía em busca da resolução completa dos problemas alheios.
Diziam os especialistas que ela tinha os seus problemas insolúveis, e por isso se ocupava dos outros.
Mas nessa busca por resoluções alheias ela acabava tendo esse poder de fazer com que as pessoas se sentissem bem perto dela.
Eram procissões repletas de problemas se aglomerando no quintal de Carmina.
Numa noite, após todos os atendimentos, sentiu falta de um abraço.
Um carinho de alguém que quisesse apenas o seu calor, sem querer o seu corpo.
Sentiu-se sozinha, deprimiu-se. Foi até o quintal e não viu nem vivos e nem mortos.
Entrou em casa e suicidou-se.
Foi isso que atrapalhou o seu processo de canonização.

(MAY 15, 2008)

março 29, 2009

Slumdog Millionaire

Filed under: cinema — coramade @ 8:29 am

 Atrasada no burburinho do Oscar, assisti hoje “Slumdog Millionaire”. O título em português “Quem quer ser um milionário” passou longe dos absurdos já vistos por aqui no que diz respeito a tradução de títulos, mas esconde a expressão “Slumdog”, que quer dizer várias coisas… e diz muito sobre o filme, protagonista e temática.
Jamal é um rapaz pobre que participa de um programa de perguntas e respostas, valendo vinte milhões de rúpias, mas para Jamal, o prêmio vale muito mais. Liberdade, respeito, sonho, amor, justiça, glória e outros valores humanos esquecidos nas periferias miseráveis, de Mumbai, e não apenas, e entram aí algumas comparações sócio-econômicas, e cinematográficas, com a periferia brasileira.
Em várias passagens o texto mostra a exclusão, pode parecer mais do mesmo mas, a evidenciação sem rodeios da forma como ricos e pobres sofrem diferentes incidências da lei, e de como isso é maquiado para turistas e imprensa internacional é uma forma de reforçar a luta da classe menos favorecida por mudanças no sistema.
Slumdog… faz referência óbvia ao filme “Cidade de Deus” em planos, ângulos e takes, e é semelhante pelos rótulos “produção local” e “baixo orçamento.
Com o excêntrico Danny Boyle na cadeira, o filme ganhou um toque paranóico típico (vide Trainspotting) que nos faz torcer, sofrer e roer as unhas e morrer de amores por personagens que estão longe dos mocinhos de folhetim. O roteiro sensível e emocionante assinado por Simon Beaufoy conduz uma história que, entre violência, pobreza, corrupção e o preconceito de que um “pé rapado”, “favelado” não poderia conhecer as respostas certas, revela-se uma excelente história de amor e da perseverança pelo mesmo.
Não poderia deixar de falar da trilha forte e contundente, que cumpre o seu papel de nos imergir na trama.
O Oscar foi merecido, e afastou de vez a academia dos paradigmas que começaram a ser quebrados com “Pequena Miss Sunshine”, e que agora foram detonados consagrando um filme de produção e elenco indianos, com diálogos em idioma estrangeiro, diretor excêntrico e de orçamento distante das grandes produções que imperaram por anos na premiação.

maio 26, 2006

Limão

Filed under: Parceria — coramade @ 4:26 pm

(Bira Pinto & Cora Made)

A pena vazia
Como coração que não ama
E os olhos num sorriso
Que já não é pra mim

E sobrepostos os corpos
Sentem o frio nu
Na cama o vazio da alma
Não há calma que me faça gostar de ser assim

Na peleja do calor
Numa paz aparente
Trago as estrelas
De quem anda sem céu

Roubo a paz de saber-se seu
Estanco os fluidos da calma
Cubro com véu os sentidos meus
E finjo-te amor.

Sinuosa

Filed under: Parceria — coramade @ 4:07 pm

(Cora Made & Bira Pinto)

Perdido em tuas curvas
Hei de caminhar por novas rotas
Quero estar entre tuas pernas
E acima da linha de tua cintura
Traçar-te uma reta

Cortar a linha tênue
Entre amor e dor
Doar-me peito e pele
O cheiro de teu ardor
Queimando ao sabor de nós

Rasgar-te inteira
Deixar-te em pedaços
Perder-te em encruzilhadas
Emcontrar-me em paralelas
Misturar-nos eretos

Um quarto o mundo inteiro
E no encontro de tuas pernas
Enredar meu universo
Enquanto Vinícius tempera
Lambuzar-me no teu mel

E as esferas orbitando
Conto estrelas do teu céu
Na tua boca minha língua
Findando num cigarro quente
E o torpor do teu corpo ausente
Ao meu despertar.

maio 23, 2006

POMAR

Filed under: Parceria — coramade @ 2:34 pm

(Ubirajara Pinto e Cora Made)

Noturnos hábitos
Solenes atos
Se te sugo sou vampiro
Teu soturno
E te tenho no meu hálito

Circuitos curtos
Como pedra num lago
Sorvo a fruta
Do teu ventre sou escravo
Amanhecendo alforriado

Alvejo o dia libertário
Se pálido te beijo
É fruto de um desejo
Cálido e solitário
E te abraço nesta névoa

Se te escolho fel
E pra ter em brasa
Revés ao componho
Paris possuo você

Antinatural
Cidade das luzes inofensivas
O teu sangue é mineral
Nos desejos, na lascívia
És pedra no meu caminho

Como última goiaba do pé
Se o morcego não comeu
É porque tem bicho.

Blog no WordPress.com.