Em terapia

abril 13, 2009

As humanidades do domingo.

Filed under: cinema — coramade @ 6:01 am
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Neste feriado eu não tive muito tempo atoa, dividida entre as minhas famílias. Mas o tempo que passei em frente à tv, serviu para eu comprovar que ter tv a cabo serve para ter mais 65 canais que não exibem nada que preste aos domingos.
Resultado: Apelei para os filmes.

Vicky Cristina Barcelona

vicky-cristina-barcelona2Bem que a Carlinha tinha me avisado. Há um “quê” de Cristina em mim.

Para começar a falar de Vicky Cristina Barcelona, antes de tudo tenho que adimitir, eu amei. Amei mesmo. Desenvolvi uma relação emocional com o filme, as personagens me cativaram, quis que eles existissem de verdade, próximas de mim, para que eu pudesse conviver com elas, em sua beleza. A beleza e a doçura da imperfeição, retratados de forma muito digna no roteiro de Woody Allen. Ainda durante a época das previsões  para o Oscar 2009, Rubens Ewald Filho disse em seu blog que achou injusta a não indicação de Allen para a categoria “roteiro original”. Eu já disse dia desses @twitter que apesar de não simpatizar com a figura de Rubens, eu respeito sua opinião sempre, e mais uma vez ele estava certo.

A força da narrativa é suficiente para a construção das personagens, que já vem à tela brilhantemente concebidas, dispensando longas apresentações, como uma pintura, que imprime visualmente as sensações absorvidas pelo público.

O elenco é outro ingrediente mais que satisfatório . Rebecca Hall é linda, expressiva, e atua na medida certa para compor a centrada e prática Vicky. Scarlett Johansson está exuberante, naturalmente sensual, cativante, e carrega elegantemente a alma poética do filme com sua interpretação da impulsiva e inquieta Cristina.

Javier Bardem arranca suspiros, em sua melhor forma desde que o vimos pela primeira vez em “El poderoso influjo de la luna”, mas para quem não teve oportunidade de assistir, cito “Carne Trêmula” e “Entre as pernas“, que foram os filmes que lhe deram maior visibilidade aqui no Brasil, passando por “Mar adentro” e pela inesquecível transformação estética em “Onde os fracos não tem vez“. Juan Antônio é deliciosamente sedutor e encantador.

penelope-barcelona2 E o que dizer de Penélope Cruz? Ahh Penélope! Eu me arrependo de todas as vezes em que eu disse que ela não era bonita. Me rendo ao seu charme, e atesto o merecimento do Oscar. Maria Helena é uma personagem de uma riqueza sem igual, rara, literalmente apaixonate, e digo aqui dessas paixões arrebatadoras, que nos faz perder a noção das coisas e mergulhar na irracionalidade humana, fabulosa!

Aliás, o filme trata justamente disso, razão e emoção. As constantes reviravoltas, quando nos rendemos à irracionalidade pacional, e logo depois, voltamos à razão, e ficamos na inconstância entre esses sentimentos.

A história é emoldurada pelas belíssimas cidades de Barcelona e Oviedo , e principalmente, pela arquitetura de Gaudi.

E na condução de tudo isso está Woody Allen, diretor veterano em “humanidades”.

Ficha técnica do filme. 

Estômago

estomago Mudando completamente o clima deste post, assisti “Estômago” do diretor curitibano Marcos Jorge.

Concordo com a crítica do Omelete, acho realmente que o filme remete à comédias italianas bonachonas, com suas musas corpulentas, mas ao invés de Marco Ferreri, encontrei uma semelhança, digamos… mais abstrata, com outro diretor italiano.Falo de Ettore Scola, com seu “Feios, sujos e malvados“. Aquela capacidade de criar tipos terríveis, asquerosos, mas infalivelmente encantadores e divertidos.

João Miguel, na pele de Raimundo Nonato, é um paraíba que migra para o sul, e acidentalmente acaba trabalhando como cozinheiro num boteco de esquina. Suas coxinhas despertam a atenção do dono de um restaurante local, que ensina a Raimundo a arte gourtmet. Isso fica claro através do recurso de flash backs, utilizados para narrar o que acontece na trama, até Nonato ser preso. O filme prende justamente por não entregar qual o motivo da prisão, e desperta verdadeiramente a curiosidade do público. Não é uma obra prima do cinema Nacional, mas com certeza é um dos melhores filmes da atualidade.

Não é um filme impactante como Amarelo Manga, mas também fala das mazelas humanas, lógico que de uma outra forma, e é desde Amarelo Manga, que eu não vejo um filme nacional lidar com as “humanidades”, pegando o que é feio e trágico, e pintando, colorindo, ou melhor, temperando.

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