Posso me apegar às palavras?
Devo eu me permitir o apego a coisa tal, que nunca pertencerá?
Que quando dita é lançada no tempo, em rajada de vento, dragada do espaço.
E quando escrita, se apreende em qualquer despedaço de um papel antigo, que a chuva molha e derrete, como eu.
E quando escondida é desconhecida e depois esquecida, num fragmento da memória, perdida com os anos.
Ou será, que toda graça está em apegar-se ao que não possui, mas que que constitui inconstante, o inteiro de nós.
A palavra não é minha, ela passarinha, ao redor, mas se aninha, no peito de quem descansa em paz.