Em terapia

agosto 31, 2009

Alerta

Filed under: Catárticos,Dedicados,poesia — coramade @ 1:48 am
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Quando o dia acaba eu repasso os fatos,
e desato uns nós.
Queria que você se visse,
que você me ouvisse, mas não.
Não tem espelho em casa,
não quando está em brasa.
Não se atina não menina?
Acorda e desabrocha,
deixa de manha e cuida da vida,
da sua, querida, da sua.
Olha pra frente, olha o futuro,
lhe sorrindo promissor.
Veja que o tempo que passa se perde,
e é preciso ir ao cerne da sua questão.
Invista em você, pra não se esquecer,
de quem realmente importa.
Não se atenha às tábuas de salvação,
pois elas flutuam, instáveis, e um dia se vão.

agosto 26, 2009

Quando a fêmia fala

Filed under: Dedicados,poesia,Umbiguistas — coramade @ 12:42 am
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corabycicy

foto by cicy bretz, edição cora made

Tem muito pouco de veneno nesta fêmea,
tem mais de doce, mais deleite nestas curvas.
Tem muito calor nas entranhas desta moça,
pra toda briga muita força.
Mas tem os seios fartos, onde abriga a paz alheia,
e quem ali se deita, sabe bem como é.
Tem uma voz suave, até quando grita,
e se agita, se irrita, imita uma dança louca,
chorando rouca, rasga a roupa e rasteja,
se esfrega nas pernas do amor,
e implora que lhe queira.
Sobe no salto, desfilante,
pisa no peito dos desavisados,
mas pede desculpas, é sempre sem querer.
Verdadeiramente, com intenção,
ela só ama, fala e faz amor.

agosto 25, 2009

Tudo que eu disse passou

Filed under: Catárticos,Devaneios,pessoal,poesia — coramade @ 3:12 pm
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Eu preciso dizer que entendo,
mas a verdade é que eu não sei.
Eu mal comecei a encontrar o caminho,
e já me perco em desatinos meus,
muito meus.
Eu preciso dizer que sei bem do você fala,
eu sei como se sente,
porque quem se perde sempre sabe.
Esse incômodo que te assombra,
está aqui também, vivo em mim.
Eu sei bem das minhas verdades,
mas sobram dúvidas,
dúvidas de viver, agora? Como? Onde?
Eu estou absorta novamente,
eu queria ter sempre a certeza,
mas não posso, porque eu me distraio.
E quem anda distraído sempre perde alguma coisa,
mas nunca se perde alguém,
pessoas não são possuídas,
elas se doam, enquanto querem,
e querer é tão passageiro comigo,
que já não quero mais sempre a certeza.
É que viver flutuante tem suas vantagens.
Não pisar no chão, estar mais perto do céu,
e sentir o vento que nos passa.
E entender que passar é função da vida.
Eu não preciso dizer mais nada,
tudo o que eu já disse,
já fez passar o que eu sentia.

agosto 24, 2009

Gente pensante convergente

Filed under: Dedicados,poesia — coramade @ 1:31 am
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Gente, matéria prima do autor,
de todos os cantos, de todos os tipos.
Gente é o que mais tinha,
compartilhando, ouvindo, contando.
Tinha gente seguindo, e outros tantos ensinando.
Foi um dia diferente,
Com palavras e cigarros sob a chuva,
histórias e escritos, frases e ditos,
bagagem para um sempre,
para a vida, pra florir muitos campos,
inspiração para poeta, sem florear,
de gente que respira, e não hesita.
De gente bonita, bem dita,
que diz o que pensa,
e que pensa bastante.

Foi bom pensar junto com todos vocês.

Agradecimentos a toda a equipe do BlogcampES que possibilitou um encontro de pessoas e idéias, e especiais à Gabi Dornelas, pela companhia e por ter existido no meio daquela chuva, ao Thalles Waichert, por avisar pras andarilhas quando começava uma desconferência e também pelo bate papo regado a suco de manga, à Emily pela eletricidade e animação pra botecar, ao Marcos Luppi, pelo elogio e gentileza e também por ter vencido seus bloqueios e falar de coisas tão interessantes, e ao Juca Magalhães pelo conforto de saber que o processo de criação desgovernado pode levar a algum lugar de fato.

agosto 18, 2009

Vida de gato

Filed under: Catárticos,poesia — coramade @ 9:30 pm
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Ando tão cansada, e esse cansaço é tão antigo.
Cansei-me das pessoas me dizendo coisas desnecessárias,
Sermões e mais sermões, despejados sobre meu peito,
que sente o peso desse cansaço que eu respiro.
Cansei-me da desconfiança daqueles que eu amo,
Logo eu que os amo tanto, logo, não desconfiam também do meu amor?
Estou cansada de não poder ser eu,
De não ter espaço, de ser dócil quando eu quero ser bicho.
Deixe-me correr livre em campo aberto,
Me deixa morder, lamber minhas patas, afiar as garras.
Me deixa descansar, moço.
Me deixa.

agosto 10, 2009

Manifesto meu

Filed under: Catárticos,poesia,psicologia — coramade @ 3:58 am
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Muitas pessoas me conhecem um pouco,
poucas pessoas me conhecem bastante,
mas ninguém sabe quem eu sou.
Para mim parece bem simples, até mesmo de explicar.
Eu gosto de política,
mas não gosto desses políticos que vemos.
Não gosto da politicagem,
e do enxovalhado sistema.
Eu gosto dos pensadores, filósofos e poetas,
gosto dos que propões soluções,
para os problemas que vêem.
Não gosto dessa gente que reclama,
sem se mover.
Não gosto dos críticos, dos rotuladores,
não gosto dos que pensam que podem definir,
quem é genial e quem é medíocre.
Não me interessa a opinião, o “achismo”,
ou o que quer que seja, que qualquer um que não faça,
possa dizer sobre como é que se faz.
Eu não gosto de religião,
me incomoda que me ensinem a conversar com um ser que vive em mim.
Gosto muito de Deus, Deuses e Deusas,
que falam comigo na minha consciência,
e que me ensinam todos os dias que ser bom,
que ser honesto, que ser honrado,
é o melhor caminho para a paz de espírito.
E que felicidade é este estado de espírito.
Em paz consigo, compartilhando a vida com os que amamos.
E que ser ruim depende do ponto de vista.
Porque não dá pra aceitar calado,
o sofrimento que tentam te impelir.
E que se te dão algo ruim, cabe a você não aceitar,
cabe a você fazer a devolução.
Eu não faço questão de ser polêmica,
nunca pretendi polemizar,
só quero o meu direito de amar algumas coisas,
e odiar outras, sem que alguém classifique,
o certo ou o errado.
Não quero o conceito dos outros,
sobre bom e ruim, sobre a qualidades das coisas,
porque eu sei julgar o que é melhor pra mim.
e fim.

agosto 6, 2009

Sem cartas na mesa

Filed under: Amor,Dedicados,poesia — coramade @ 12:36 pm
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E se a distância não for mais problema,
E quando acabarem todas as cartas e eu estiver aí,
O que vai ser de tantas palavras?
Continuaremos a dizer de tudo um pouco?
Continuaremos nos dizendo tudo, sem ressalvas?
Qual será o destino de tantos papéis coloridos?
Faremos origamis, e deles faremos cortinas.
Enfeitaremos o quarto e faremos a cama, mudos.
De que nos pode servir um amor aos poucos,
De versos, na vida, resta nada.
A poesia que se vê é viva, e não versa,
É vice, é outra, é amante da gente.
É a poesia que sente, quando não podemos.
É ela quem quer quando queremos em segredo.
Se eu te escrevo, é porque não estou contigo,
E se estamos juntos, meu amor, meu amigo,
Por que te escrever?
Eu prefiro que ocupes seu lugar no meu silencio,
E deixe a poesia para as coisas minhas,
Indizíveis, por serem demais femininas pra que entendas.

abril 6, 2009

Palavra

Filed under: poesia — coramade @ 6:57 am
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Posso me apegar às palavras?
Devo eu me permitir o apego a coisa tal, que nunca pertencerá?
Que quando dita é lançada no tempo, em rajada de vento, dragada do espaço.
E quando escrita, se apreende em qualquer despedaço de um papel antigo, que a chuva molha e derrete, como eu.
E quando escondida é desconhecida e depois esquecida, num fragmento da memória, perdida com os anos.
Ou será, que toda graça está em apegar-se ao que não possui, mas que que constitui inconstante, o inteiro de nós.
A palavra não é minha, ela passarinha, ao redor, mas se aninha, no peito de quem descansa em paz.

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