E se a distância não for mais problema,
E quando acabarem todas as cartas e eu estiver aí,
O que vai ser de tantas palavras?
Continuaremos a dizer de tudo um pouco?
Continuaremos nos dizendo tudo, sem ressalvas?
Qual será o destino de tantos papéis coloridos?
Faremos origamis, e deles faremos cortinas.
Enfeitaremos o quarto e faremos a cama, mudos.
De que nos pode servir um amor aos poucos,
De versos, na vida, resta nada.
A poesia que se vê é viva, e não versa,
É vice, é outra, é amante da gente.
É a poesia que sente, quando não podemos.
É ela quem quer quando queremos em segredo.
Se eu te escrevo, é porque não estou contigo,
E se estamos juntos, meu amor, meu amigo,
Por que te escrever?
Eu prefiro que ocupes seu lugar no meu silencio,
E deixe a poesia para as coisas minhas,
Indizíveis, por serem demais femininas pra que entendas.