Essa coisa de criar a dicotomia pra encontrar o meio termo, de usar meu maniqueísmo de um jeito lúdico é no mínimo divertida. Me enlouquece, me conserta, ou finalmente me dá o equilíbrio.
dezembro 14, 2011
setembro 21, 2011
Back to terapy
De volta à terapia.
Sim. Isso é um fato a ser comemorado.
Primeiro porque eu tenho consciência de que funciono melhor quando tem mais alguém questionando comigo as coisas que eu naturalmente já me questiono.
Segundo porque nesta fase da minha vida, que eu vou chamar aqui de “o princípio da vida adulta” eram duas as opções:
Fazer terapia (foi a minha escolha) e não fazer e acabar indo parar no pinel definitivamente numa manhã de segunda feira.
Hoje eu tive a minha segunda sessão.
Foi uma daquelas sessões em que o terapeuta deveria te pagar pra te ouvir. Porque você se demonstra tão potencialmente intrigante atingindo um estado avançado de maluquice que se torna um desafio. E porque hoje eu fiz a minha terapeuta rir. Eu mesma ri a sessão inteira. A primeira sessão foi daquelas em que você senta e chora até desidratar e embola todos os assuntos que você consegue se lembrar.
Acho que primeira sessão de terapia te dá a sensação de ser a última. Ou os momentos finais da sua vida quando você precisa confessar pra alguém todos os seus pecados.
Hoje não. Hoje foi diferente. Eu sentei lá sendo eu. Com todas as falhas de caráter. Com as fraquezas expostas, seja a falta de coragem ou a vileza.
Foi bom. Saí de lá absorvendo, processando, verificando, digerindo tudo que foi dito.
Foi bom. Senti que estar de volta à terapia e me resgatar um pouco, me ter mais perto, me conhecer melhor e aprender a lidar com esse ser humano peculiar que sou eu.
março 2, 2010
Morda-me
Essa é uma história de dentes.
Dos seus dentes cravados na minha coxa.
Como sempre foi e sempre será.
Eu que me dôo pra você, inteira e sempre mais.
Nunca quis lhe dar só um pedaço,
por isso eu não estive aí.
Porque quando estou, sou verdadeiramente eu,
verdadeiramente sua.
E não há leviandade quando lhe digo isso.
Quero me lembrar pra sempre,
da sensação de estar entre lençóis,
suores e sonhos.
Uma música, uma frase, pra nós é um todo,
muito maior que um universo.
E a beleza de amar está nisso,
neste tempo que não passa, e nem passará.
Em estar na sua cama mesmo que em pensamentos.
E em você me ver cada vez que cruzar aquele jardim.
Essas são as coisas certas, retas, porque não morrerão.
Foram, são e serão verdadeiras na nossa eternidade particular.
Enquanto você for você, e eu for eu, vai existir.
fevereiro 23, 2010
Leve
Ande,
pela Terra que é de onde eu venho, e que eu Sou.
Ande como for, se não há vontade de voar.
Descanse,
não temo nada e tenho a mim, e assim nunca estou só.
Não se preocupe em fazer escolhas,
apenas anda,
não há erro quando o coração comanda.
Eu danço bem sozinha, e ainda danço feliz.
Esteja bem onde pousar,
mais que um desejo de pele, maior é o meu de vê-lo bem.
Eu continuo a cantar, e não há lamento no meu canto.
Se ouvir daí, saiba que não é um chamado,
saiba apenas que sempre haverá um tom que é seu.
O mais alegre.
Eu estou bem, e leve.
Vá levando, andando e descansando.
Eu já estou vivendo, muito bem comigo.
Meu amor, meu amigo,
seja indescupavelmente feliz.
Outro porto
Quanta dor eu senti,
que senti mais por ti ao ver-te assim,
e de ver-te deu-me vertigem.
Logo a ti, meu pássaro,
tão solto no Vento.
Tão feliz e a contento ver-te livre.
Livre como nasceu e as estrelas quiseram,
e os astros disseram que seria.
Agora vejo-te dever,
culpado por voar simplesmente,
por querer ser mais grão que semente.
tão aprisionado que perdeste as tuas penas.
As que apenas calavam e não escreviam as palavras,
que deixavam de ser ditas num abraço eterno.
Vem abraçar de novo os braços que te libertam,
eu te ensino um bater de asas sereno,
sem pressa nem demora, com a cadência perfeita,
na que se ajeita um amor breve.
Pois há de vir um Vento outro,
que me leve a outro porto
e eu demore a voltar.
fevereiro 20, 2010
Caminho
O vazio de existir me preenche,
a ausência de culpa, de medo, de alegria e tristeza.
Tudo isso faz de mim um ser quase não humano.
Pode ser que daqui a um ano, essas coisas vivas todas aí fora,
voltem aqui pra dentro.
Mas por enquanto, nada.
Por enquanto só o vazio.
Um espaço, um silêncio.
Muda eu vou mudando desta vida que não mais é minha.
E sozinha vou construindo um caminho para seguir.
janeiro 16, 2010
O maior de todos
Eu sou a mulher que dança na sua direção,
com um largo sorriso, e olhos brilhantes.
Eu sou a mulher de antes, ela sou eu, só que melhor.
E sou tão melhor contigo, tão mais feliz.
Que mesmo longe do seu corpo, do seu rosto,
é você quem me faz sorrir.
Eu sinto como se respirar tivesse um outro sentido agora,
como se não fosse só sorver o ar, como se fosse amar.
E amar mais o respirar.
E encher de alegria os pulmões e o coração.
E encher de vida o que era um cansaço insosso,
e a vida que era amarga ou sem gosto,
tem gosto de saudade, saudade do gosto seu.
E daquilo que mesmo não dito, aqui dentro de mim, foi o maior de todos os amores.
janeiro 15, 2010
Fim
Eu não suporto mais.
Não sei mais o que fazer pra ser feliz.
Desespero, desesperança,
ventania sem bonança.
Tormenta, tormenta.
Por que não inventa de passar em paragens distantes?
Porque bate à minha porta?
Vê se entorta a vida alheia.
Passeia em outra direção,
outro coração.
janeiro 3, 2010
Sem deixar
Sonhei com você na primeira noite do ano,
me desesperei, me perguntei até quando.
Eu não sei se eu quero que isso passe,
mas às vezes quero parar.
Quero que isso me acalme, e não sobressalte.
Eu quero lembrar de você com ternura, sem desejo e paixão, mas meu coração acelera, a boca seca, o peito aperta.
Queria dizer isso pra você, queria que você soubesse, queria que você viesse.
Tem dias que eu penso que só você sabe o que eu quero, o que eu quero mais. Que só você me conhece, esse eu de verdade, que dispensa o que se diz quando quer impressionar.
Ando cansada meu amor, cansada de tentar ser algo que eu não sou.
Você entenderia. Você sabe do que nós somos feitos. Essa farinha do mesmo saco, essa coisa gostosa de comer lambendo os dedos.
A promessa continua.
E há de se respeitar quem tem peito pra dizer nunca. Quando se quer muito amar alguém, nunca se deixa.
dezembro 30, 2009
O cara!
Quando ele bater à porta eu vou abrir.
Vou abrir e quero que ele entre com tudo,
me pegando e imprensando,
me apertando contra a parede.
Quero que ele faça amor comigo,
e eu quero fazer amor com ele.
Não vou deixar que ele me coma,
como o outro que passou,
não vou deixar que me engula e sufoque,
não vou me reprimir e oprimir.
Quero andar com ele de mãos dadas,
vou acompanhá-lo no seu rítmo,
ele vai ser bom pra mim, vai me tratar com carinho,
é um cara legal, bem sucedido,
e eu vou crescer com ele, aparecer pro mundo.
Ele vai me mostrar coisas boas,
vai me levar aos lugares mais interessantes.
Nós dois juntos seremos imbatíveis!
Que venha 2010, quando ele bater à porta,
eu vou deixá-lo entrar!