Em terapia

Outubro 23, 2009

Futuro

Arquivado em: Catárticos — coramade @ 2:45 am
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Às vezes, e digo assim para fazer-me de menos compulsiva do que na realidade, sinto uma fome incomum.
Sinto como se eu pudesse devorar o mundo inteiro com meus dentes de sorrir.
É uma vontade incontrolável, preenchida com o mais ardente desejo, é cheia dessas coisas incompreensíveis. Como se o inverso de ingerir, eu quisesse jogar no ar todas essas sensações que brotam do frio no meu estômago, mas ainda assim é fome.
Mas não há nada no universo que possa saciar, não há nada comestível ou digerível, e nem quem possa entender. O que existe é a necessidade absoluta, de quem esteve em tamanha abstinência que nem sequer pode ser imaginada, de uma cardápio extenso de palavras e expressões, que por uma fração mínima de tempo, possa por em entrelinhas, isto. Esta fome nunca pára e faz crescer vertiginosamente. Ontem eu disse, e se preciso repetir, digo de novo agora. Eu não sou megalômana, eu sou esperta. E quem rodou o mundo começou com o primeiro passo, como este que eu dou agora. Ontem eu disse, amanhã será o primeiro dia! E hoje eu coloquei na prática, de que só nós somos capazes, meu plano mirabólico de dominação. Eu sei que isso pode parecer intangível, mas o que eu sinto, de forma ainda que simbólica, eu posso tocar. E é meu! Meu futuro me pertence!

Outubro 22, 2009

Recomeço

Arquivado em: Vida, pessoal, textos — coramade @ 1:18 am

A moça entrou sobre as pontas dos pés descalços, e na mente dizia para si um “shhh…”, pois era preciso silêncio absoluto.

Observava através da porta vislumbrando tanta luminosidade que lhe ardia os olhos, e uma enxaqueca súbita lhe tomava, como se tivesse um relógio tiquetaqueando dentro da cabeça.

O coração sobressaltado como se uma bomba estivesse prestes a explodir no peito.

Tinha a mania irritante de olhar para trás de si, como se temesse a sua própria sombra.

Um dia entrou num casulo, ficou lá por dias, não viu ninguém, ouviu só seus pensamentos e saiu de lá batendo as asas tão rápido que fez um tufão varrer o mundo. Tirou daqui e dali umas poeiras que estavam acumulando, afastou as nuvens e o sol brilhou.

Hoje o que se vê por aí são as cores que ela escolheu pras asas que o sonho deu.

Setembro 9, 2009

Crônica de “Cotidiano”

Arquivado em: Catárticos, Cotidiano, textos — coramade @ 12:04 am

Todos os dias, todo mundo faz exatamente a mesma coisa. Acorda, levanta, trabalha ou não.

Há dias em que eu preferia não acordar, não dormir pra sempre, nem nenhuma idéia fixa com a morte ou coisa parecida. É que os dias são cada vez mais repetições dos antecessores.

Acho mesmo que o futuro é coisa que não vem, e o presente anda cada vez mais com cara de passado. A rotina vem devorando as minhas horas, a minha criatividade, e ainda vai acabar por digerir a minha percepção da realidade.

Eu ando muito pouco sacudida, e muito depositada, sobre um móvel sofá, feito poeira mesmo.

Tenho invejado os caçadores antigos, até minha comida vem até minha porta e toca a campainha. Essa modernidade e facilidade estão tornando minha vida difícil e triste.

Ate sair da rotina é comum, com dia e hora marcados.
Tento algumas fugas, mas o caminho é curto. Acabo sempre sentada no mesmo café. Dois cigarros e dois cafés, por favor. Obrigada, boa noite. E assim tenho me calado.

Por mais que eu sinta uma incontrolável vontade de gritar, penso na vida pra levar, e me calo.

Por esses dias a poesia em mim também se cala, é que ela não sobrevive a tantas doses de realidade. Entrou num coma profundo.

E me volta aquele desejo de acordar num futuro a diante, que seja mesmo futuro, que seja novo e brilhante, que acorde a poesia, e faça de mim mais terra e menos poeira, mais vida, mais planta que se agrada do sol, mais luz e menos sombra e água fresca.

É que toda a poesia do cotidiano, já foi levada por um Chico, e não me sobrou muito artifício no meio de tudo isso.

E todo fogo, é fogo novo. Não dá pra brilhar fazendo mais do mesmo.

Agosto 31, 2009

Alerta

Arquivado em: Catárticos, Dedicados, poesia — coramade @ 1:48 am
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Quando o dia acaba eu repasso os fatos,
e desato uns nós.
Queria que você se visse,
que você me ouvisse, mas não.
Não tem espelho em casa,
não quando está em brasa.
Não se atina não menina?
Acorda e desabrocha,
deixa de manha e cuida da vida,
da sua, querida, da sua.
Olha pra frente, olha o futuro,
lhe sorrindo promissor.
Veja que o tempo que passa se perde,
e é preciso ir ao cerne da sua questão.
Invista em você, pra não se esquecer,
de quem realmente importa.
Não se atenha às tábuas de salvação,
pois elas flutuam, instáveis, e um dia se vão.

Agosto 26, 2009

“Pensando en cosas que me provoca”

Arquivado em: Devaneios, Febre, poesia — coramade @ 9:02 pm
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Sabe quando chove por dias, e se acaba a inspiração?
“Después” toca uma canção, e te traz de volta o verão.
Eu queria contar uma história dessas,
que se passa a beira mar,
com calor no corpo e frutas tropicais,
romances sob o sol, quando o sol nos passa sorrindo,
contos com cara de férias,
com gente bronzeada dançando uma salsa,
e vestidos floridos rodopiantes, suor escorrendo,
molhando os pelos, apelos, cabelos,
que as flores sempre enfeitam.
Histórias de luau, onde as pessoas se seduzem.
Mas chove há dias, e não é chuva de verão,
porque das chuvas de verão “me gusta”.
Aquela que vem forte, derramando sorte,
molhando beijos, desejos,
e os pensamentos mais quentes.
Essas cenas não me deixam,
Põe dentro da minha alma um fogo, uma fogueira.
E uma percussão latina no peito,
E a chuva insiste, não tem jeito.

Quando a fêmia fala

Arquivado em: Dedicados, Umbiguistas, poesia — coramade @ 12:42 am
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corabycicy

foto by cicy bretz, edição cora made

Tem muito pouco de veneno nesta fêmea,
tem mais de doce, mais deleite nestas curvas.
Tem muito calor nas entranhas desta moça,
pra toda briga muita força.
Mas tem os seios fartos, onde abriga a paz alheia,
e quem ali se deita, sabe bem como é.
Tem uma voz suave, até quando grita,
e se agita, se irrita, imita uma dança louca,
chorando rouca, rasga a roupa e rasteja,
se esfrega nas pernas do amor,
e implora que lhe queira.
Sobe no salto, desfilante,
pisa no peito dos desavisados,
mas pede desculpas, é sempre sem querer.
Verdadeiramente, com intenção,
ela só ama, fala e faz amor.

Agosto 25, 2009

Tudo que eu disse passou

Arquivado em: Catárticos, Devaneios, pessoal, poesia — coramade @ 3:12 pm
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Eu preciso dizer que entendo,
mas a verdade é que eu não sei.
Eu mal comecei a encontrar o caminho,
e já me perco em desatinos meus,
muito meus.
Eu preciso dizer que sei bem do você fala,
eu sei como se sente,
porque quem se perde sempre sabe.
Esse incômodo que te assombra,
está aqui também, vivo em mim.
Eu sei bem das minhas verdades,
mas sobram dúvidas,
dúvidas de viver, agora? Como? Onde?
Eu estou absorta novamente,
eu queria ter sempre a certeza,
mas não posso, porque eu me distraio.
E quem anda distraído sempre perde alguma coisa,
mas nunca se perde alguém,
pessoas não são possuídas,
elas se doam, enquanto querem,
e querer é tão passageiro comigo,
que já não quero mais sempre a certeza.
É que viver flutuante tem suas vantagens.
Não pisar no chão, estar mais perto do céu,
e sentir o vento que nos passa.
E entender que passar é função da vida.
Eu não preciso dizer mais nada,
tudo o que eu já disse,
já fez passar o que eu sentia.

Agosto 24, 2009

Gente pensante convergente

Arquivado em: Dedicados, poesia — coramade @ 1:31 am
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Gente, matéria prima do autor,
de todos os cantos, de todos os tipos.
Gente é o que mais tinha,
compartilhando, ouvindo, contando.
Tinha gente seguindo, e outros tantos ensinando.
Foi um dia diferente,
Com palavras e cigarros sob a chuva,
histórias e escritos, frases e ditos,
bagagem para um sempre,
para a vida, pra florir muitos campos,
inspiração para poeta, sem florear,
de gente que respira, e não hesita.
De gente bonita, bem dita,
que diz o que pensa,
e que pensa bastante.

Foi bom pensar junto com todos vocês.

Agradecimentos a toda a equipe do BlogcampES que possibilitou um encontro de pessoas e idéias, e especiais à Gabi Dornelas, pela companhia e por ter existido no meio daquela chuva, ao Thalles Waichert, por avisar pras andarilhas quando começava uma desconferência e também pelo bate papo regado a suco de manga, à Emily pela eletricidade e animação pra botecar, ao Marcos Luppi, pelo elogio e gentileza e também por ter vencido seus bloqueios e falar de coisas tão interessantes, e ao Juca Magalhães pelo conforto de saber que o processo de criação desgovernado pode levar a algum lugar de fato.

Agosto 18, 2009

Vida de gato

Arquivado em: Catárticos, poesia — coramade @ 9:30 pm
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Ando tão cansada, e esse cansaço é tão antigo.
Cansei-me das pessoas me dizendo coisas desnecessárias,
Sermões e mais sermões, despejados sobre meu peito,
que sente o peso desse cansaço que eu respiro.
Cansei-me da desconfiança daqueles que eu amo,
Logo eu que os amo tanto, logo, não desconfiam também do meu amor?
Estou cansada de não poder ser eu,
De não ter espaço, de ser dócil quando eu quero ser bicho.
Deixe-me correr livre em campo aberto,
Me deixa morder, lamber minhas patas, afiar as garras.
Me deixa descansar, moço.
Me deixa.

Agosto 10, 2009

Manifesto meu

Arquivado em: Catárticos, poesia, psicologia — coramade @ 3:58 am
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Muitas pessoas me conhecem um pouco,
poucas pessoas me conhecem bastante,
mas ninguém sabe quem eu sou.
Para mim parece bem simples, até mesmo de explicar.
Eu gosto de política,
mas não gosto desses políticos que vemos.
Não gosto da politicagem,
e do enxovalhado sistema.
Eu gosto dos pensadores, filósofos e poetas,
gosto dos que propões soluções,
para os problemas que vêem.
Não gosto dessa gente que reclama,
sem se mover.
Não gosto dos críticos, dos rotuladores,
não gosto dos que pensam que podem definir,
quem é genial e quem é medíocre.
Não me interessa a opinião, o “achismo”,
ou o que quer que seja, que qualquer um que não faça,
possa dizer sobre como é que se faz.
Eu não gosto de religião,
me incomoda que me ensinem a conversar com um ser que vive em mim.
Gosto muito de Deus, Deuses e Deusas,
que falam comigo na minha consciência,
e que me ensinam todos os dias que ser bom,
que ser honesto, que ser honrado,
é o melhor caminho para a paz de espírito.
E que felicidade é este estado de espírito.
Em paz consigo, compartilhando a vida com os que amamos.
E que ser ruim depende do ponto de vista.
Porque não dá pra aceitar calado,
o sofrimento que tentam te impelir.
E que se te dão algo ruim, cabe a você não aceitar,
cabe a você fazer a devolução.
Eu não faço questão de ser polêmica,
nunca pretendi polemizar,
só quero o meu direito de amar algumas coisas,
e odiar outras, sem que alguém classifique,
o certo ou o errado.
Não quero o conceito dos outros,
sobre bom e ruim, sobre a qualidades das coisas,
porque eu sei julgar o que é melhor pra mim.
e fim.

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